quinta-feira, 8 de março de 2012

Mudando o imutável (Uma realidade inalcançada)

Muda o tom da cor
O toque da pele
Muda o olhar e a presente semelhança se esvai
Muda as cores dos olhos parados
Olhando novamente para o mesmo lado
A rima que não finda
Num mármore gelado de puro prazer
O som que envolve
Um sono pesado que não consigo mais ter
O tempo não passa enquanto ouço-me pulsar
O mundo desaba e os passos ao meu redor conseguem parar
Algo queima em mim ao final de cada dia
Uma simples fantasia de um querer que não se quer
Solto feito um pássaro na gaiola
A contradição de uma mentira
As vozes que rodeiam o dia
Convencendo a cabeça daquilo que não é real
São puras idealizações que passam a torturar
São vontades de algumas horas, que eternamente poderiam durar
Espero, enquanto o tempo dá o seu primeiro passo e peço que devagar tudo tome jeito
O jeito errado talvez, o medo afogado quem sabe
O maior dos sonhos chegará ao final de uma finalidade alcançada
Juntamente com palavras espremidas e exprimidas ao nada.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A procura.

Procurando por um paraíso grandioso e proibido com toques sutis e superficiais
Um tanto de queda, um pouco de empurrão.
A lei da chuva que molha a todos, mas não molha a si mesma.
A curva da estrada que engenheiro nenhum traçou.
Uma data marcada não funciona apenas aquilo feito na hora “H”.
Sonhos lamentados a quem nem se devia confiar.
Ou o que se deve não se pode pagar.
Mas que sonho é esse que escondido fica, que não encontra uma saída para os problemas da vida?
Que abismo que me encontro, que tontura maluca, onde fui parar?
Meu corpo no espelho se define de forma diferente a que um dia possuiu
Meus olhos se fecham e quando abrem-se me sinto mais velha.
O tempo não passa, ele voa!
As soluções para os problemas foram adiados e substituídos pelas vontades.
Os desejos outrora inexistentes fixaram-se nas vagas abas de razão que meu coração diz ter.
Meu soluço fraco junto ao grito histérico vira uma canção sem fim.
O correr das minhas pernas ficou fraco a ponto de não mais caminhar.
O tempo voa e eu flutuo numa maré de águas pouco límpidas.
A vida não vive mais o tempo que costumava viver.
A cada passada que o ponteiro menor do relógio dá, eu me lanço a procura dos meus passos mais lentos.
O despertador me acorda e eu peço para continuar a dormir.
E se acordar, que ele então me ajude a fugir.
Uma fuga sem espelhos que é para não refletir o que ficou para trás.
Sem chances de volta, sem medos para voltar.
Cuidado! São as placas que sozinhas ainda tentam alertar
O que decidi está decidido, o que foi não há de voltar.
Se meus passos tropeçarem, se meus dedos se cruzarem aí já não mais andarei.
Mas enquanto eu tenho vida, eu luto!
Enquanto eu tenho força, eu não desisto!
Enquanto existe amor, existe esperança e onde existe esperança, há vida!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um desabafo e palavras tristes.


Meu peito aprofundado em dor e solidão.
Já não encontra escombros úteis para algo reatar.
Se movem sozinhos em vão.
Duas peças de um quebra-cabeça que parecia nunca quebrar.
Só ficam os pedaços de lembranças que jamais vão se apagar.
Um com o outro e o outro sem o um.
Uma decisão confusa que fará parte das curvas da vida.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O compositor

Os reflexos da alma refletem no lápis compositor que flutua junto às letras trazendo músicas dançantes e delicadas.
Um reflexo errado é um risco torto, é forte e pode destruir sozinho todo o conjunto de riscos tracejados por mãos fartas de realidade.
Mãos que sonham com o desejo de libertar as letras presas e distantes do jardim.
Um jardim florido onde é possível apenas olhar.
No fundo dele um infinito de letras esperando para que o compositos as façam nadar também.
Querem mergulhar juntas num mar de água colorida assim como as flores do jardim.
Colorida além das cores, a música surge. O som complementa e faz-se realidade o sonho que o lápis compôs.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O GRANDE poder das palavras


Em seu texto “O poder das palavras” publicado na Zero Hora de março de 2007, Abrão Slavutzky (Psicanalista) diz: “A palavra deve ser a prioridade para a recuperação de uma sociedade pensante (...). Com elas se faz o fogo que nos aquece e as pontes que nos unem com fios invisíveis. As palavras são estímulos indispensáveis para enfrentar as tristezas do mundo, essenciais no amor e na paz. O poder das palavras salvou a Sherazade que contando histórias curou o rei de sua fúria assassina nas Mil e uma noites. E não é por acaso que os fanatismos temem a liberdade de expressão (...)”.

Depois disso já não é necessário dizer muita coisa, a complexidade das palavras está escrita aí, de uma forma simples de entender. Tivemos a honra de conhecê-las e devemos abusar do direito de usá-las. As palavras conduzem as emoções, os manifestos, as interrogações para um mundo de realidades, todos os pensamentos e sentimentos devem ser expostos e para isso, nada melhor do que usar das magnifícas palavras que em conjunto se tornam maiores do que as dimensões do mundo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um domingo de reflexão.

Todo o dia é dia de refletir, porém quando acontecimentos vem à tona, quando as coisas não acontecem da forma como foi imaginado,  a reflexão se torna a única saída e mesmo assim, nem sempre consegue-se sair. Enfim, escrevo:
"Para que tanta saudade e desespero se o medo interrompe qualquer parte de mim que quis assim, sempre calada ficar.
Mas quando resolvo falar, quanto mal trago a mim e fujo assim com aquele velho medo de errar.
Mas e o que fazer quando se quer tentar? Lutar?
Nada que eu diga ou faça resumirá aquilo que realmente quis dizer.
Um poço fundo e largo que se arrasta aos pés de quem não sabe o que fazer.
Muita melancolia e sentimentalismo, que coração mais malvado que quer ser o meu.
Muita emoção, pouca razão. Muita dedicação, pouca preocupação.
O que pode ser mais fácil, sempre há como complicar e o complicado não se desenrola.
Não anda e nem estaciona, apenas flutua por entre as brechas, poucas, de sol que invadem a calma tentando limpar a alma.
Mas tudo está limpo e resolvido já, agora é um recomeço.
Se recomeçarei com algo já antes iniciado, aí é outra reflexão."